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As origens da pesca em Sesimbra
Com uma tradição milenar, a prática da pesca em Sesimbra apresenta evidências materiais datadas, pelo menos, desde o Calcolítico, através da recolha de dois pesos de rede em povoados arqueológicos desse período. Documentada ao longo da pré-história recente, será durante o Império Romano que a atividade atinge um amplo desenvolvimento, facto confirmado não só pela unidade fabril de preparados piscícolas identificada em 2007, na Avenida da Liberdade, mas também através da recuperação, na zona do Cabo Espichel, de mais de metade dos cepos de âncora em chumbo identificados até ao momento na costa portuguesa.
Após a ocupação muçulmana da Península Ibérica, iniciada em 711, Sesimbra continuou um polo da captura de diversas espécies piscícolas, que serviriam para alimentação da comunidade local, como comprovaram as escavações arqueológicas efetuadas em 2005 no Castelo. Em termos documentais, é do Foral de 1201, doado por D. Sancho I, que data uma das primeiras referências escritas à prática da pesca na região de Sesimbra, nomeadamente da taxa a pagar pelo pescado, a qual seria de 1 soldo.
A abundância de cardumes nas águas da região durante a Idade Média seria, pois, uma realidade atestada não só pela arqueologia, mas também por um documento de 1247, referente a uma avença entre o Rei e a Ordem de Santiago, a qual indica que até navios estrangeiros vinham pescar nas suas águas. Por carta de doação de D. Afonso III, datada de 1255, é decretado que os moradores e vizinhos de Sesimbra que se dedicassem à pesca deveriam pagar a dízima à Ordem de Santiago, ficando, num documento de 1274, acordados os tributos sobre as pescarias de Almada, Sesimbra e Sines. O manuscrito refere também, pela primeira vez, a captura de pescado grande, como baleia, baleato, roaz, coca, musaranha e sereia (mamífero marinho semelhante ao golfinho).
Em 1252, aquando da doação da Igreja de Santa Maria do Castelo à Ordem Militar de Santiago, são referidas rendas provenientes da atividade marítima, encontrando-se documentada, em 1282, durante o reinado de D. Dinis, a existência de um alcaide de mar em Sesimbra, colocado por Martim Eanes, com a função de zelar pela povoação e pela sua comunidade marítima.
Tornando-se numa atividade cada vez mais central e importante para a vila, ao longo dos séculos subsequentes, a introdução, a partir do século XIV, de novas artes de pesca, nomeadamente dos acedares e das almadravas, potenciou um significativo incremento ao nível do volume de pescado capturado, bem como dos respetivos dividendos. Esta nova dinâmica fez com que D. João I atribuísse a primeira carta de privilégios a favor dos pescadores de Sesimbra, tendo, na segunda metade do século XV, D. João II promulgado uma Carta para os Mareantes da Ribeira.
Destinando-se, num primeiro momento, à alimentação da população, o progressivo aumento de excedentes provenientes da pesca, potenciou o estabelecimento de rotas comerciais cada vez mais sólidas, visando, inclusivamente, o abastecimento das frotas empregues na expansão ultramarina, facto que confirmou a relevância do papel de Sesimbra no âmbito da mesma.