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A lancha poveira do alto «Fé Em Deus»

«A lancha poveira do alto é um barco de boca aberta, de quilha, roda de proa e cadaste. Arma uma grande vela de pendão de amurar à proa. Como não dispõe de patilhão, um leme alteado assegura essa função.

A “Fé em Deus” foi reconstruída segundo normas e modelos tradicionais locais e representa uma das últimas lanchas poveiras a ir ao mar na década de cinquenta do século XX.

“O início da construção deu-se a 27 de Fevereiro de 1991, com o levantamento da quilha no picadeiro e o bota abaixo, a 15 de Setembro do mesmo ano”, recorda João Feiteira, construtor da Lancha Poveira. E acrescenta: “embora o Alberto Marta e o Silva Pereira se tivessem envolvido no projecto, Manuel Lopes foi grande mentor e impulsionador da construção da construção da embarcação”.

João Feiteira nasceu na Póvoa de Varzim em 1925. Ainda criança começou a trabalhar no estaleiro na rua da Caverneira. Aos 18 anos de idade partiu para Moçambique, onde aprendeu todas as artes de construção naval: “cheguei a operário de primeira categoria a trabalhar nas lanchas.

Em Lourenço Marques fui funcionário da Marinha e regressei com a descolonização, em 1976. O Silva Pereira foi quem me deu guarida no Clube Naval, onde continuei a minha actividade de construtor naval. Mais tarde um, companheiro das Caxinas, hoje presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, sugeriu-me uma sociedade e compramos um estaleiro e criamos o Postiga e Feiteira”.

Os primeiros passos para a construção da lancha poveira foram feitos de conversas com Manuel Lopes: “disse-lhe que tinha o desenho guardado na cabeça. Trabalhei em muitas lanchas e sabia fazer o trabalho de acordo com as características exigidas. Só era preciso definir as formas. Foi só passar da cabeça para o papel. Havia lanchas maiores, mas a Fé em Deus tem mais de 12 metros”.

Seis meses foram o tempo suficiente para fazer renascer a lancha poveira do alto. “Primeiro escolheu-se as madeiras, grande parte da lancha é pinho bravo. No projecto de uma embarcação definia-se logo a linha de água. Depois o cavername (esqueleto da lancha), a roda de proa, a quilha e o cadaste. A roda de proa é uma peça que faz curva. O pinheiro para abate era escolhido com aquela curva, e o cadaste é à ré onde tem as ferragens do leme e um compartimento para o mestre dormir. Os camaradas dormiam nas panas, no corpo da lancha. A quilha é feita de sobreiro, porque é uma madeira que em fricção com os paus de varar, que eram de pinheiro, fica polida e escorrega. Punha-se um bocado de sebo na quilha para ao varar deslizar melhor. Varava-se as lanchas para a areia, onde ficavam no tempo do defeso”. E conclui: “a lancha poveira para navegar bem e com velocidade tinha umas finuras muito delicadas. Dizia-se que tinha de ficar desempolada. O pescador gostava de ver a lancha a andar bem mas com segurança. As formas tinham de ser idealizadas de acordo com esses critérios. Creio que atingimos esse objectivo na Fé em Deus”.

Durante a construção da lancha poveira, João Feiteira recebeu várias visitas de Manuel Lopes. “Acompanhou sempre a construção e não queria que colocasse qualquer peça nem a fechasse sem que ele a fotografasse”.

A altura dos mastros tinha uma norma que por vezes era viciada pelos pescadores. “Fui muitas vezes à bouça escolher o pinheiro para o mastro, nem muito grosso nem muito fino, e com poucos nós para não partir. Era preciso meia dúzia de homens para pegar nele. Os mastros são sempre feitos de pinheiro porque o eucalipto é muito pesado. A verga é mais fina e tem mais uns metros. Por norma, o mastro vai desde a carlinga, de cima das galeotas passa o cadaste e sai fora da popa um bocadinho, já com o leme no lugar. Por vezes os mestres punham um mastro maior para aproveitar mais o vento. Havia uma rivalidade sadia”.

A dimensão da vela tem a ver com o tamanho do barco e do mastro: “dizia-se o pano e não a vela. O pano era talhado pelos pescadores. O Sarrão, que morava ao pé dos Correios, fazia os melhores panos”.

Na hora do bota-abaixo, João Feiteira diz nunca ter tido dúvidas: “eu sabia que tudo iria correr bem. A minha cabeça não me enganou no desenho. Senti uma grande emoção porque estava a reviver um passado distante, saído das minhas mãos, regressado das minhas memórias”.»

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