Portos de Portugal
Viagem ao Centro do Mundo

Porto de Viana do Castelo,
Alberga o maior estaleiro do País

Porto de Leixões
Referência na Região Norte do País

Porto de Aveiro
Uma solução Intermodal competitiva

Porto da Figueira da Foz
Promotor da Economia da Região Centro

Porto de Lisboa
Atlantic Meeting Point

Porto de Setúbal
Solução Ibérica na Região de Lisboa

Porto de Sines
Porta do Atlântico

Portos da Madeira
O Paraíso dos Cruzeiros

Portos dos Açores
A sua plataforma no Atlântico

Quem Somos

A APP – Associação dos Portos de Portugal é uma Associação sem fins lucrativos constituída em 1991, com o objectivo de ser o fórum de debate e troca de informações de matérias de interesse comum para os portos e para o transporte marítimo.

Pretende-se que a APP contribua para o desenvolvimento e modernização do Sistema Portuário Nacional, assumindo uma função que esteve subjacente à sua criação: constituir-se como um espaço privilegiado de reflexão e de decisão.



Newsletter

Clique aqui para se registar na newsletter.

Clique aqui para sair da newsletter.

Janela Única Logística



Notícias

VILA FRANCA DE XIRA

Projecto de porto fluvial relança transporte de mercadorias no Tejo

Um porto fluvial vocacionado para o tráfego de mercadorias em Castanheira do Ribatejo, no norte do concelho de Vila Franca de Xira, deverá entrar em obras já em 2013, segundo prevê a presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha.

O empreendimento, liderado pela Companhia do Porto da Castanheira, aposta na ligação à vizinha Plataforma Logística de Lisboa-Norte (PLLN) e na possibilidade de descarregar mercadorias transportadas pelo Tejo em barcaças ou carregar produtos das zonas industriais da região ribatejana.

A Câmara de Vila Franca de Xira aprovou, na sua última reunião, uma declaração de interesse público municipal do projecto do porto fluvial da Castanheira. O processo segue, agora, para apreciação da assembleia municipal e, uma vez aprovado, permitirá instruir o pedido de desafectação dos terrenos necessários classificados nas reservas Ecológica e Agrícola nacionais.

Trata-se de uma parcela situada entre os cem hectares da PLLN e a margem do Tejo, que beneficiaria também da proximidade da Linha do Norte e da estação terminal da Castanheira e do novo nó de acesso à Auto-Estrada do Norte (A1) que a Brisa acabou de construir, num investimento próximo dos 19 milhões de euros.

De acordo com Maria da Luz Rosinha, o porto da Castanheira "terá um ponto de apoio para transbordo de mercadorias que, depois, seguem por transporte ferroviário ou rodoviário." E acrescenta: "O que se vai aqui ganhar é realmente retirar milhares de camiões das estradas. As estradas nacionais 1 e 10 e a A1 são hoje ponto de passagem de viaturas pesadas de transporte de mercadorias para diversos pontos do país, o que significa que este projecto vai aliviar o concelho dessa sobrecarga."

A Companhia do Porto da Castanheira foi constituída há um ano, em Junho de 2011, e tem sede no Largo do Corpo Santo, em Lisboa. Apresenta-se como empresa de transportes e de armazenagem vocacionada para o transporte de mercadorias por vias navegáveis interiores. Maria da Luz Rosinha afiança que é uma empresa de capitais portugueses já ligada aos transportes fluviais na área de Lisboa, mas não revela quem são os principais accionistas. O investimento, de acordo com os estudos efectuados, envolve "bastantes milhões de euros" e as obras, segundo a autarca do PS, deverão avançar já em 2013.

Certo é que, em 2007, com o lançamento das obras da PLLN pelo grupo espanhol Abertis surgiu, desde logo, a ideia de alargar a intermodalidade do projecto às vias fluvial e ferroviária. O então ministro Mário Lino apoiou publicamente a ideia e a Abertis suportou os primeiros estudos, feitos em articulação com a Administração do Porto de Lisboa (APL) e com a Rede Ferroviária Nacional. As conclusões foram muito favoráveis e a APL afirmou que era viável este transporte de mercadorias em barcaças ao longo dos 40 quilómetros de estuário do Tejo que separam Lisboa da Castanheira.

Já em 2010, a APL divulgou um estudo sobre a multifuncionalidade do porto de Lisboa, em que realçava a virtudes do transporte fluvial de mercadorias entre Lisboa e a Castanheira do Ribatejo. Um projecto que "representa um investimento pouco significativo, em termos relativos, mas cujo resultado pode ter um grande impacto, ao nível da sustentabilidade económica e ambiental e da competitividade do porto", refere o documento.

A ideia será, sobretudo, descarregar mercadorias para barcaças em alto mar e transferi-las directamente para meios rodoviários e ferroviários na Castanheira, sem passar pelo porto de Lisboa. No sentido inverso, poderão ser carregadas mercadorias na Castanheira.

Desassoreamento e turismo

O projecto da PLLN não correu bem, sobretudo devido ao impacto da crise económica (ver caixa) e passou da Abertis para outra companhia espanhola, a Saba. "Desde que a plataforma logística esteja a funcionar, terá forçosamente uma grande articulação com a plataforma", prossegue a autarca, frisando que o projecto do cais fluvial estará mais vocacionado para as mercadorias, mas poderá servir também o turismo.

"Quando o criámos para as mercadorias, criámos condições para as questões do turismo virem associadas, porque hoje um dos problemas que afectam o nosso rio é o do assoreamento", admite a presidente da Câmara de Vila Franca. Maria da Luz Rosinha adianta que este projecto do porto fluvial contempla também uma articulação de esforços entre a APL e a Companhia do Porto da Castanheira. A APL desenvolverá trabalhos de desassoreamento para sul, na zona da Ponte Vasco da Gama e das calas Norte e das Barcas e a empresa privada deve intervir mais para Norte, no concelho de Vila Franca. "Criam-se condições para o transporte de mercadorias e haverá também melhores condições para o turismo fluvial", conclui a autarca.

Plataforma logística parada e sem clientes

O projecto da Plataforma Logística de Lisboa-Norte, apoiado pelo primeiro Governo de José Sócrates, classificado como de Potencial Interesse Nacional, correu mal. A Abertis investiu mais de 50 milhões de euros (o plano inicial previa um investimento global de 265 milhões e mais de 5000 postos de trabalho directos) nas movimentações de terras e nas infra-estruturas. Mas ainda não avançou a construção de qualquer nave, porque ainda não haverá contratos firmados, devido à retracção originada pela crise.

A oposição na Câmara de Vila Franca de Xira aponta regularmente o problema, com a CDU a criticar a forma como o município empenhou alguns milhões de euros na aquisição de terrenos e construção de acessos à PLLN e o PSD a criticar a forma como os socialistas desbloquearam a aprovação de todos estes acessos e não resolveram os problemas de acessibilidades no sul do concelho.

"A Abertis, quando investiu mais de 50 milhões na plataforma, não o fez certamente para perder. Neste momento em que quase tudo está paralisado, o que esperamos é que seja ainda dada continuidade àquele investimento, obviamente que num outro quadro", defende Maria da Luz Rosinha, que continua a acreditar que a PLLN "será uma boa aposta para o desenvolvimento económico do concelho".

"A última informação que temos é que só avançarão no momento em que tiverem clientes para os espaços. Mas acredito que isso um dia será verdade", disse a autarca ao PÚBLICO.