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Das exportações como uma das belas artes

José Vieira da Silva parece preferir bem mais o recôndito dos gabinetes à azáfama dos palcos, dos palanques e dos estrados de madeira. Mesmo assim, carregou o Governo aos ombros durante a semana - com os empresários e a banca atrás.

Entre outras consequências bem mais graves, o défice das contas públicas acabou por transformar o ministro da Economia numa espécie de secretário de Estado do ministro das Finanças, com a função pouco simpática de aturar os agentes económicos e de lhes explicar ao vivo e a cores que o país está sem dinheiro. Se fosse preciso provar que esta subalternização é infelizmente verdadeira, bastaria recordar que, quando o anterior ministro da Economia, Manuel Pinho, se desentendeu com os seus próprios dedos indicadores e teve de se retirar do executivo sob os assobios do Parlamento e a risota generalizada do resto do mundo, o seu ministério acabou sob a alçada do ministro das Finanças Teixeira dos Santos - que assim acumulava, aparentemente com naturalidade, as duas funções.

 

Quando o tempo ainda era de algum desafogo fiduciário, Manuel Pinho tentou sacudir essa submissão futura que já se desenhava: desatou a aparecer em todo o lado, distribuiu sorrisos e promessas a todos os sectores sem distinção de credo, raça ou valor para o PIB e atrelou o sonho de um país cheio de ventoinhas gigantes à sua própria sombra. O povo empresarial gostava daquilo: se mais não fosse, ter um ministro por perto é uma boa desculpa para chegar tarde a casa. Acabaram por atribuir o seu nome a uma rua de uma cidade qualquer; organizaram-lhe dois ou três jantares de homenagem em restaurantes 'low cost'; e deram-lhe uma última palmada nas costas à porta de um velho Jaguar verde, antes de darem o assunto por encerrado.

 

Alheio a tudo isso, José Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, cumpria, no recôndito do seu gabinete, a tarefa dantesca de retirar a Segurança Social das manchetes dos jornais – sempre pelas piores razões.

 

Quando José Vieira da Silva foi transferido (no final de Outubro de 2009) do Ministério do Trabalho para o Ministério da Economia, percebeu-se que José Sócrates queria, num lugar que iria transferir-se para as manchetes dos jornais pelas piores razões, alguém com capacidade técnica e de trabalho com provas dadas e com uma atitude suficientemente 'low profile' para não o obrigar a andar sempre a apagar os fogos de declarações incendiárias ou apenas deslocadas.

 

Nascido na Marinha Grande em 1953, licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, deputado desde a IX Legislatura e assumindo funções governativas desde Outubro de 1999, Vieira da Silva organizou a sua folha de serviços em torno das áreas do trabalho e da segurança social - tendo-se mantido sempre bem longe das teorias excessivamente liberais sobre a matéria, precisamente aquelas que mais parecem interessar aos empresários. A sua entrada no Ministério da Economia foi por isso recebida com alguma surpresa, uma pitada de desconfiança e uma ou outra piada jocosa.

 

A coisa piorou quando, contrariando as melhores práticas de Manuel Pinho, Jorge Vieira da Silva basicamente bloqueou as suas saídas do ministério. A função de ministro da Economia deixou de ser um lugar itinerante e o ministério - que até aí parecia funcionar dentro de um BMW série 5 com o motor a trabalhar - regressou ao recôndito da Avenida 24 Julho 134, 3º, 1399-029 Lisboa.

 

Repentinamente, Vieira da Silva decidiu organizar o Congresso de Promoção das Exportações Portuguesas - que não terá sido exclusivamente da sua autoria, como é evidente (refira-se por mera justiça o presidente da Aicep, Basílio Horta), mas que de algum modo foi chamado a protagonizar, no passado dia 8, no Europarque. E, não menos repentinamente, os empresários descobriram aquilo que para alguns era razoavelmente óbvio: o trabalho de gabinete é por princípio mais sólido e sustentado que o calcorrear de muitos quilómetros de estrada. De uma penada, o inesperado protagonista José Vieira da Silva conseguiu agregar uma série (muito longa) de empresários em torno de uma ideia (as exportações); alinhar abanca com o racional de uma estratégia comum (o que, convenhamos, é raro); dar algum fôlego político a José Sócrates (mesmo que seja só sob a óptica das costas que descansam enquanto o pau vai e vem); e remeter para a secção do despropósito as declarações do social-democrata Miguel Relvas sobre o referido congresso.

 

Vieira da Silva - que tem ainda a muito feliz e pouco vista capacidade de mesclar as suas intervenções públicas com subtis pormenores de humor refinado (quase cínico) - pode não ser a personagem certa para os grandes palcos, mas é de certeza o homem certo para criar a diferença dentro da sombra, do silêncio e da sobriedade de um gabinete.


2011-02-11 10:10
António Freitas de Sousa, Outlook, Diário Económico
RESPIGADO DO PORTAL DA AICEP