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Janela Única Logística



Notícias

POR NABO MARTINS, PRESIDENTE DA APAT

Vai ser difícil voltarmos ao «anteontem»

A logística já de si é bastante complexa, nomeadamente quando envolve os vários modos de transporte. Estes por sua vez têm características próprias, nomeadamente nas suas regras, competências, características e até documentação utilizada.

Até há 2 meses podíamos talvez dizer que o transporte marítimo tinha pela frente vários desafios, entre os quais podíamos identificar a Sustentabilidade, o e-Commerce, a Mão de obra versus Tecnologia e a Digitalização, entre outros, ou seja estávamos basicamente a falar de uma revolução na área dos transportes, até porque estas áreas seriam concomitantemente extensíveis aos restantes modos de transporte.

Para piorar as coisas todas, estas mudanças estavam a acontecer em simultâneo retirando tempo à necessidade de pensar e repensar todos os modelos logísticos até agora usados. O negócio não pára, o consumo não abranda, logicamente o fluxo de trabalho também não e as infraestruturas não aguentam tamanhos crescimentos, indubitavelmente não é possível fazê-las crescer à mesma velocidade.

Apesar da “fome” consumista, todos requerem mais sustentabilidade e a indústria marítima é considerada uma das principais poluidoras do meio ambiente e, portanto, falar de sustentabilidade, então, é falar sobre o uso de novas tecnologias que permitam fazer o mesmo, consumir o mesmo ou mais, mas emitir menos poluição.
Em contrapartida o uso de novas tecnologias significa pessoas mais bem preparadas e mais competentes e em mais áreas. Este conhecimento leva a uma maior especialização e estes profissionais ainda não existem.

É necessário Formação.

Oportunamente, talvez, apanhados pela mesma onda de choque que o resto do mundo e devido ao rápido desenvolvimento da pandemia COVID-19, a impotência humana fica declaradamente visível e por isso mesmo nos sentimos ainda mais desafiados, porque sabemos que temos um papel muito ativo e crítico para que tudo continue o mais aproximado possível, com o que seria a normalidade. Manter a continuidade do sistema logístico, obriga-nos ainda a uma responsabilidade aumentada.

Esta crise faz crescer o e -Commerce e também constatamos que não estamos preparados para tal crescimento. Os consumidores aprendem mais rapidamente e habituam-se mais velozmente a esta nova forma de comercio on-line, do sofá de casa para qualquer parte do mundo, do que a cadeia logística. Condição que supõe um crescimento mais rápido do comércio global e da logística dos transportes, mas que esta não acompanha.

O consumidor é mais rápido que o fornecedor.

Neste tsunami de alterações, desafios, sustentabilidade e consolidação do negócio, as grandes transações ganham dinâmicas diferentes a que só a digitalização conseguirá dar resposta em tempo útil e é por isso que os atores da logística, alfândegas (lentamente) e governos (muito lentamente), entre outros, estão a unir esforços para promover a digitalização e padronização da indústria.

Tal como já referi, entendo que depois desta crise tudo será diferente. A maneira como vamos passar a viver, passar a consumir, passar a vender e acima de tudo como perspetivamos o futuro que havemos de ter. Por isso é muito natural que depois de amanhã os padrões de consumo se alterem assim como o lugar onde tudo se produz. É expectável que cada vez mais se assista a uma diminuição de quantidades por encomenda, mas também a um maior volume, ou seja encomendas mais pequenas, menos consolidadas, mais pulverizadas e mais quantidades e, para mais clientes. As encomendas mais pequenas obrigam a uma maior consolidação e quanto maior/melhor for a consolidação, mais competitivo e mais sustentável será, ou seja. mais eficiência, rapidez, segurança e baixo custo, é o que se pretende.

Alguns transitários já adotaram métodos digitais e automatizados e outros até já implementaram o e-Pricing para oferecer a instantaneidade que o consumidor ou o cliente final pretende.

! Mais uma crise!

Mais de dois meses depois do surgimento do COVID-19, as restrições começam finalmente a ser levantadas na China, que todos elegemos como a “fabrica” do Mundo [era barato]. Mas depois de uma crise desta magnitude, depois de um evento traumático desta magnitude, como é que se volta à normalidade?

Não se volta.[ o barato saiu caro]

O regresso à nova normalidade vai acontecer aos solavancos e relativamente ao sector logístico na China, a partir desde mês, a maioria das linhas de navegação tenta recuperar as suas linhas oceânicas. O transporte marítimo está gradualmente a estabilizar e a normalizar, embora ainda haja pouco volume de contentores. Os Transitários começam a receber encomendas e os serviços de armazenamento e consolidação também estão a recuperar para gradualmente se aproximarem da situação normal.

Na aviação vivem-se dias de autêntico terror. Será que a “fábrica” do Mundo vai apenas continuar ser na China? Ou será que se multiplicará por outros continentes?

Nunca é demais lembrar que foram momentos de grandes crises que provocaram no homem a ambição das grandes respostas e das grandes soluções, destinadas a resolver os grandes problemas provocados por essas mesmas crises. Devido à necessidade de baixar as emissões poluentes e à rapidez que a procura pretende, agora mais evidente (após COVID-19), provavelmente iremos assistir a uma alteração ao “estado da arte” atual. Em vez de grandes navios poderemos voltar à utilização de navios de menor capacidade, mais rápidos e menos poluentes. Os comboios provenientes da China, são cada vez mais e mais rápidos até ao centro da Europa e, dentro desta e, entre esta e a ibéria, tráfego rodoviário igualmente mais sustentável do ponto de vista ambiental, porque também estes trabalham em novas formas de energia para reduzir as emissões.

Nasce o 5.º modo de transporte.

Atualmente digo que afinal há cinco modos de transporte. Para além dos quatro conhecidos, há ainda o Intermodal. É este novo “modo de transporte” que vai permitir criar cadeias de transporte mais eficientes e sustentáveis. Com a história do e-Commerce, do comércio global e revolução digital, também acredito que vamos andar com encomendas mais pequenas. Não é por acaso que há players que agregam pequenas encomendas, fazem cargas completas e escolhem o melhor modo (tradicional) para as fazer chegar ao consumidor final, mas também não é por acaso que alguns gigantes do e-Commerce e da logística já o estão a fazer de maneira diferente. Ver o que vinha sendo feito noutros modos de transporte e, adaptar à nova realidade do consumo parece ser então o segredo. Não é por acaso que a China anda a fazer comboios (muitos) para a Europa. Nada é por acaso.

Sempre achei que só uma solução modal, não é solução e que o futuro dos transportes de mercadorias tem muito a ver com a intermodalidade, pelo que é fundamental contribuir numa outra perspetiva entre o que é a conexão entre portos secos e marítimos e os modos de transporte, rodovia, ferrovia, aéreo e marítimo, criando o tal 5º modo de transporte, onde os Transitários são verdadeiros especialistas.

Se assim for, será igualmente legitimo perspetivar que portos de menores dimensões terão igualmente outras oportunidades para integrar os “novos” fluxos e a “novas” cadeias logísticas que aí virão.

De uma coisa podemos estar certos, vai ser difícil voltarmos ao “anteontem” e o “anteontem” nunca será igual ao depois de amanhã.
Fiquem bem porque teremos tempo para nos voltarmos a encontrar, abraçar e a sentir o “cheiro” da vida.

Nabo Martins, Presidente da APAT

Abril 2020