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OPINIÃO | POR LUÍS SOUSA

Portos sólidos numa economia difícil

Recentemente, o mundo acordou em estado de pandemia declarada pela Organização Mundial de Saúde. Em Portugal as primeiras reações consistiram em comparações com alarmes relativamente recentes como a doença das vacas loucas, a gripe suína ou a gripe das aves, cujas consequências foram marginais, apesar de terem causado mortes, mas estruturalmente a sociedade passou incólume.

O bom humor dominou a opinião pública e tudo parecia encaminhar-se para um final rápido num registo efetivamente trágico, mas humanamente tolerável, até porque o Corona Vírus, tendo origem na China, garantidamente funcionaria mal e duraria pouco tempo.

Os primeiros alarmes mais veementes parecem ter aparecido com as notícias que começaram a surgir de Itália, um país da Europa, com um sistema de saúde avançado, e que já se encontrava na contingência de colocar os médicos a decidir quem podiam ou deviam tratar e quem pura e simplesmente teriam que deixar ao seu destino de morte quase inevitável.

Pouco tempo passado surge o doente zero em Portugal, a epidemia começa a seguir o seu rumo natural, em poucos dias constatam-se milhares de infetados e mortes já na casa da centena, em consequência da COVID-19.

A consciência da sociedade chocou violentamente com a realidade e o Governo iniciou um trabalho orientado no sentido de tomar as medidas necessárias para tentar gerir uma crise que afinal é real, violenta física e emocionalmente, com um desenvolvimento imprevisível e um final que já não fugirá ao domínio do calamitoso.

A verdade nua e crua é que um microrganismo está a desafiar ferozmente, no mínimo, o modo de vida da espécie largamente dominadora do planeta. Isto é assustador e se eventualmente para já, ainda não o suficiente para despertar o instinto de sobrevivência primário dos humanos, já temos uma sociedade, em fase de adaptação a uma realidade completamente inesperada, a questionar como será o futuro pós controlo do Corona Vírus.

Aqui reside a primeira constatação, o Corona Vírus não irá desaparecer do Globo, tal como o HIV continua ativo, o que irá acontecer é que a Ciência por um lado e a consciência coletiva humana por outro, irão criar mecanismos que permitirão manter uma fronteira mais ou menos segura entre humanos e esta nova espécie agressora.

Notoriamente os custos deste percurso estão e provavelmente manter-se-ão elevados por um período de tempo bastante alargado. O desgaste das pessoas da “linha da frente de combate” é uma realidade notória, o condicionamento à livre circulação é outro fator relevante de erosão do bem-estar social tal como a constatação de que os bens e serviços que tínhamos como seguros e fáceis de alcançar, se encontram agora mais difíceis de obter, aliando-se a tudo isto uma noção de imprevisibilidade do futuro mesmo a curto prazo.

Este cenário repercute-se seriamente na economia já que vários dos pilares da sua robustez se encontram muito fragilizados. A confiança desapareceu, grande parte dos meios de produção têm que ser paralisados, o comércio fica extremamente condicionado, as pessoas perdem rendimentos e os encargos públicos disparam para níveis estratosféricos.

Esta é realmente uma economia infetada, venéfica e ao mesmo tempo suscetível, uma vez que a COVID-19 está a deixar uma profunda “assinatura” nefasta nas contas públicas e privadas, e perante esta realidade a sociedade é envenenada por uma intuição de perigo, à qual reage de forma mais ou menos descontrolada, o que provocará ainda maiores danos no já debilitado contexto económico.

No que diz respeito ao panorama portuário, neste primeiro estágio de desenvolvimento da crise, serão os Terminais de Cruzeiros a sofrer o maior impacto. As grandes embarcações que servem esta atividade, transportam milhares de pessoas provenientes dos mais diversos países, ansiosas para regressar aos seus locais de origem e que ao aportarem são sujeitas a um apertado controlo que prolonga a escala do navio e obriga a uma logística completamente atípica e porquanto potencialmente caótica. Neste contexto estes Terminais passarão por uma fase de gestão de danos e risco ao que se seguirá a mais completa ausência de atividade porque a procura de turismo marítimo sofrerá inevitavelmente uma ressecção vertiginosa. Á sua dimensão, também as Marinas estarão sob um cenário idêntico, eventualmente com uma recuperação menos morosa dado que o fluxo de pessoas e embarcações se realiza a uma escala muito menor e menos dependente da conjuntura económica global.

Os Terminais Comerciais enfrentarão uma realidade algo diversa. Nestes primeiros tempos de pandemia o fluxo de mercadorias não parece sofrer flutuações significativas, muito por consequência da logística global ainda estar a operar sob variáveis pré COVID-19. Este cenário é, no entanto, bastante volátil e provavelmente sofrerá uma repentina inversão com a já percetível diminuição do comércio internacional. Concretizando-se este quadro e dada a paralisação do setor produtivo, os Portos poderão ter que gerir uma realidade completamente atípica concretizada na ocupação completa ou em larga escala, das suas áreas logísticas e de parqueamento de mercadorias, por carga sob o efeito da rutura da cadeia de abastecimento a que pertence.

Seguramente a pandemia Corona Vírus exigirá um fluxo de mercadorias mais específico, eventualmente mais enquadrado numa ótica de serviço público do que comercial, que face ao desenrolar do contexto que se deseja ser de maior controlo da situação, será feito já num panorama de gestão eficiente das cadeias logísticas, onde o transporte marítimo tem um papel muito importante a desempenhar. Assim a procura de serviços Portuários no domínio do fluxo de mercadorias, poderá não sofrer uma flutuação vertiginosa e inédita, passando com alguma naturalidade por uma recessão de todo gerível.

Na atividade portuária, tal como em todas as outras, o desgaste mais chocante será absorvido pelas pessoas que terão a responsabilidade de tentar garantir a segurança dos outros, alheando-se muitas vezes do risco adicional que correm.

Arriscando assumir que existe alguma previsibilidade no desenrolar da situação atual, é necessário ter presente que o motor da atividade portuária é a atividade económica… e esse motor está ou estará a curto prazo, estruturalmente “gripado”. Reside na eficiência da gestão dos danos sociais e económicos que o COVID-19 está a provocar, o desejável regresso à normalidade ou, no mínimo, o encaixar de uma nova, mas estruturada, realidade.

Por Luís Sousa
 












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