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O segredo das mantas, ou como voar debaixo de água

O investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP) Jorge Fontes flutua ao sabor da corrente sobre os pináculos do monte submarino Princesa Alice. Encontra-se num dos mais famosos locais de mergulho do Atlântico Norte.

Dez metros mais abaixo, cerca de três dezenas de mantas nadam vagarosamente entre vários cardumes grandes de peixes pelágicos. Com quase três metros de envergadura, deslocam-se impulsionando lentamente as suas imponentes barbatanas peitorais semelhantes a grandes asas, parecendo voar nas águas cristalinas. Apesar do tamanho imponente desta espécie, que todos os verões se agrega em alguns dos montes submarinos dos Açores, a sua ecologia continua a ser um mistério para a ciência. Talvez o maior dos enigmas seja mesmo para onde vão estes peixes imponentes quando as quentes e calmas águas do arquipélago dão lugar a um mar revolto.

Por fim, a silhueta que flutuava estática à superfície move-se e mergulha rapidamente em direcção às jamantas. Na mão, o mergulhador leva um arpão havaiano. Este objecto, com uma função semelhante a uma “fisga” subaquática, consiste numa vara metálica impulsionada por um elástico que é mantido em tensão. Quando libertada, projecta o arpão. Embora esta arma arcaica seja usada há centenas de anos para a captura de peixes, na sua extremidade nota-se um pequeno aparelho que nada tem de arcaico. Este pequeno transmissor envolvido em resistentes materiais sintéticos contém tecnologia de ponta que permitirá a medição constante de profundidade, temperatura, salinidade e luminosidade, durante vários meses, até ser libertado para a superfície carregado de informação valiosa que permitirá dar resposta às muitas lacunas da ciência em relação a esta espécie.

REPORTAGEM DA NATIONAL GEOGRAPHIC PARA LER AQUI