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Moita candidata barcos tradicionais do Tejo a património imaterial

O município da Moita vai candidatar as técnicas de construção e reparação das embarcações tradicionais do Estuário do Tejo a património imaterial da UNESCO, anunciou o presidente da câmara municipal.

Rui Garcia explicou que o processo, denominado ‘Moita Património do Tejo’, começa com a inscrição desta arte de construção naval tradicional no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (PCI), da Direcção Geral do Património Cultural (DGPC), que é, nos termos da legislação em vigor, condição indispensável para a candidatura à Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Segundo o autarca, a candidatura a Património da Humanidade tem como objectivo proteger a construção naval tradicional do Tejo, mas também o próprio rio.

“Em resultado das melhores condições de salvaguarda destas embarcações, sai igualmente reforçada a preservação ambiental e paisagística do estuário”, defende Rui Garcia.

Com esta iniciativa, a autarquia pretende assegurar o futuro do único estaleiro naval de construção de barcos típicos em madeira que ainda existe na região a trabalhar nesta actividade.

O Estaleiro Naval do Mestre Jaime Costa, instalado à beira-rio na Margem Sul, em Sarilhos Pequenos, é único no país e tem sido objecto de atenção e investimento por parte do município da Moita precisamente para ser valorizado.

O plano municipal para a valorização destas embarcações típicas e da frente ribeirinha da Vila da Moita, foi iniciado há já vários anos e deu no ano passado um passo importante com a inauguração, em Setembro, de um ancoradouro no Cais da Moita, com capacidade para 22 barcos tradicionais.

O novo ancoradouro, com as embarcações coloridas e enfeitadas com dezenas de bandeiras no cordame, é já um postal turístico da zona ribeirinha, além de um equipamento de grande utilidade para os proprietários manterem os barcos em segurança e estado de prontidão, tornando o seu uso mais fácil e frequente.

Na mesma altura em que concluiu o investimento de 150 mil euros no ancoradouro, a autarquia criou também um centro interpretativo no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos que permite ao público conhecer de perto a arte tradicional que ali é usada desde 1947.

Com quatro carpinteiros, um calafate, e um aprendiz, com uma média de idades próxima dos 65 anos, o estaleiro transformou-se num museu vivo onde é possível ver como se reparam as antigas embarcações de raiz e até a construção de um destes barcos típicos.

A candidatura da construção naval do Tejo a Património da Humanidade é um projecto da Câmara da Moita, com relevância para o turismo, num modelo próximo do que tem sido seguido no Alentejo e que resultou já, nos últimos anos, em três selos da UNESCO, para o cante alentejano (2014), o fabrico de chocalhos (2015) e os bonecos de barro de Estremoz (2017).

O antropólogo Paulo Lima, que esteve já em várias candidaturas portuguesas, nalgumas das quais como coordenador científico, como foi o caso da arte chocalheira e do cante alentejano, é um dos técnicos da equipa que vai tentar inscrever os barcos do Tejo no património imaterial da UNESCO.

O presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT-Lisboa), Vítor Costa, esteve presente no anúncio público do arranque do projecto, mostrando apoio à candidatura da Moita.

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