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Notícias

Infraestruturas são próximo alvo de investimento chinês em Portugal

O responsável pela área de consultoria financeira da EY (Ernst & Young) em Portugal, Miguel Farinha, aponta as infraestruturas como o próximo alvo do investimento chinês no país, no final de uma visita à China.

“A próxima área em que veremos maior interesse dos chineses é infraestruturas. Até porque em Portugal tivemos um período de acalmia neste setor e agora estamos a voltar”, afirmou Farinha à agência Lusa, em Pequim.

O responsável em Portugal pela equipa de consultoria financeira de uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo apontou os portos de Sines e de Leixões, novos hospitais e linha ferroviária Évora-Elvas como potenciais alvos de interesse para o capital chinês.

“Há vários grupos chineses que querem entrar nesse tipo de projetos, como já acontece em países africanos de língua portuguesa”, disse.

Miguel Farinha, que esta semana esteve em Pequim e Xangai a apresentar oportunidades de investimento em Portugal afirma, no entanto, que a reduzida escala do mercado português constitui um entrave em atrair maior interesse da China.

“O tema da escala é crítico, porque nós temos uma dificuldade muito grande em apresentar empresas interessantes a investidores chineses devido à dimensão das coisas”, explica.

“A empresa normal média portuguesa está na casa dos 10, 15, 20 milhões de faturação anual. Isso para eles é uma coisa muito pequenina”, afirma. “É um restaurante aqui”.

Segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos, a China é o país mais populoso do planeta, com cerca de 1.400 milhões de habitantes – cerca de 18% da humanidade.

Pelas contas do Governo chinês, o país tem seis cidades com mais de 10.000 milhões de habitantes.

Farinha destaca, no entanto, a recetividade de Portugal ao investimento chinês como uma vantagem.

“Acho que a forma como as empresas portuguesas receberam bem o investimento chinês, assim como o próprio Governo, sempre foi uma vantagem face a outros países europeus”, conta.

“Portugal nunca passou por aquela fase de desconfiança. A perceção é que o investimento chinês é a longo prazo, e não um investimento – como já aconteceu com outros grupos estrangeiros que entraram em Portugal – que acaba por desmantelar tudo e a empresa portuguesa passa a ser uma subsidiária em Portugal de um grupo maior”, explica.

Já Pedro Fugas, sócio dos serviços de Assessoria Fiscal da EY Portugal, lembra que Portugal pode ser uma excelente plataforma para o investimento chinês na América do Sul, países de língua portuguesa em África e Europa.

“Portugal tem das melhores redes de tratados para evitar dupla tributação com países da América Latina e América Central”, diz.

“Ainda temos muita cerimónia em nos apresentarmos como uma alternativa ao Luxemburgo, Holanda, Reino Unido, que há anos se posicionam no mercado dessa forma, mas somos claramente melhores como plataforma”, acrescenta.

A China tornou-se, nos últimos anos, um dos principais investidores em Portugal, comprando participações importantes nas áreas da energia, dos seguros, da saúde e da banca.

No mês passado, a estatal chinesa China Three Gorges lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária sobre o capital da EDP, na qual é já o maior acionista, com uma participação de 23,27%.

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