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POR LUÍS SOUSA

Economia Marítima – Mito ou realidade?

No caso do sistema portuário nacional verifica-se que é produzido um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de cerca de 20€ por tonelada de mercadoria movimentada. Este indicador pode apontar para a existência de uma garantida vida própria para a “Economia Portuária” ou ajudar demonstrar que esta só faz sentido enquanto parte do sistema económico alargado ao domínio nacional, europeu ou global.

O transporte marítimo internacional e muitas das outras atuais atividades baseadas nos oceanos, com toda a sua escala verdadeiramente inumana, manifestam-se difíceis de intuir numa visão holística de uma economia global, regional ou até mesmo de um país que possua um grande capital marítimo, como é o caso de Portugal.

Talvez por isso nos últimos anos se tenha verificado uma recorrente utilização da expressão “Economia Marítima” na dialética do sector e até no discurso político de carater mais ou menos oficial.

Esta compartimentação de setores económicos é claramente questionável mas compreensível dada a complexidade das relações entre estes, a qual implica consequências de monta face à tomada de medidas mesmo que tidas a priori, como de impacto restrito.

Logo, o conceito de “Economia Marítima” deriva do tal dimensionamento e escala difíceis de objetivar se o setor for tido unicamente como peça indissociável da restante economia, mas também da necessidade da presença de uma forte especialização nas esferas de topo das decisões estratégicas para o setor.

Aponta portanto para o enquadramento teórico da gestão de curto prazo, numa relação de proximidade e de resultados diretos, que se torna menos adequado caso a esfera de influência das decisões seja mais alargada. Nesse caso é necessário uma visão da Economia como um “todo”, na qual é óbvio que o setor das Atividade Marítimas desempenha um papel de altíssima importância.

Será então nessa capacidade de perceber a Economia do Mar no conjunto de todo o edifício económico global que se encontra o segredo para que o “Mar” constitua um capital realizável e realizado.

Um primeiro exemplo desta abordagem foi dado por Adam Smith nos seus livros “A riqueza das Nações”, cujas primeiras edições aconteceram em 1759. Tido frequentemente como o pai da economia moderna, o autor produziu uma nova teoria económica evocando a globalização como fator de crescimento económico.

Sem que lhe seja conhecida alguma ligação ao Mar e sem utilizar a expressão “Economia do Mar”, aponta o transporte marítimo e fluvial como decisivo para o alargamento dos mercados, única forma de atingir um elevado grau de eficiência através da especialização que cada área geográfica pode proporcionar.

Significa portanto que no caso da atividade portuária o contributo para a economia é mais indireto, ao permitir um desenvolvimento mais eficiente de outras atividades, o que é perfeitamente constatável nos números relativos a 2010 divulgados pelo Governo no Anexo A da “Estratégia Nacional para o Mar 2013 – 2020”.

Sendo o Produto Interno Bruto per capita (PIBpc) português de 2010 cerca de 16.840,00€ e o VAB da atividade portuária situado nos 1.230,40 milhões de euros, temos uma contribuição e 115,00€ para o PICpc nacional o que corresponde a 0,68% deste indicador.

Se tivermos em conta que no mesmo período a Industria e a Manufatura contribuíram em 30% para o mesmo PIBpc, parece ser legítimo concluir que a atividade portuária no que diz respeito à movimentação de mercadorias, tem um papel pouco importante para a economia.
O que a torna estratégica é a sua capacidade para alavancar os outros setores da economia, permitindo que no já citado exemplo da Indústria e Manufatura, estes se tornem contribuintes cada vez mais fortes para o rendimento disponível.

Acresce ainda que numa visão integrada da atividade portuária em relação aos outros setores, já se concluiu que as áreas portuárias possuem grande capacidade para potenciar o desenvolvimento de atividades de baixa intensidade industrial e manufatura.

Constituindo estas, serviços de valor acrescentado às cargas, contribuem decisivamente para a redução do custo do transporte, o que obrigatoriamente se traduz num aumento da competitividade do setor e da economia portuguesa, garantindo ainda uma melhor integração dos Portos nacionais no atual modelo da Economia Global.
 

POR LUÍS SOUSA
 












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