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Notícias

NA FIGUEIRA DA FOZ

Acabou o «aviso» da maré de camarão

Com o encerramento da fábrica da Cimpor, no Cabo Mondego, termina a exploração das pedreiras e os residentes na zona perdem o aviso das marés de camarão, reconhecidas pelo cheiro da cal hidráulica batido pelo vento.

"O cheiro da cal nem era desagradável. Quando estava nortada, os pescadores diziam que era maré de camarão", disse à agência Lusa José Esteves, presidente da Junta de Freguesia de Buarcos, Figueira da Foz.

Apesar da curiosidade, aliada ao conhecimento empírico dos moradores da zona - na povoação de Vais, na encosta sul da serra da Boa Viagem, vive gente cujos familiares trabalharam na exploração de carvão na mina do cabo Mondego (encerrada no final da década de 1960) e na cal hidráulica, cuja exploração remontava ao século XIX - José Esteves lamenta a perda dos 28 postos de trabalho com o fecho da Cimpor.

"Não há ninguém que consiga pensar de barriga vazia, com a barriga vazia não há história, não há passado. Estou preocupado, cada posto de trabalho que se encerra é uma facada que nos dão, a exemplo do que se está a passar no país", afirmou.
O autarca "apoiaria totalmente" o encerramento da fábrica "se quem perde os postos de trabalho fosse colocado noutros, com um futuro promissor".

Alegou que o espaço da fábrica, situada nas arribas do geomonumento do cabo Mondego, fronteira com o mar, "possui condições para uma exploração de sucesso", não industrial, "mas até relacionada com o turismo".
Como forma de perpetuar a memória industrial daquela zona, José Esteves defende uma "justa homenagem" a todos, mineiros e operários ligados à indústria de cal, "que deram nome" ao Cabo Mondego.

"Já que o fecho da fábrica é irreversível, homenagear quem aqui trabalhou e deu a sua vida, é pouco, mas era o mínimo que se podia fazer. Há mais de um ano fizemos uma proposta de uma estátua ao mineiro e um historial como deve ser. Ter memória é lembrar a história às gerações mais novas", argumentou.

Da estrada que sobe a serra da Boa Viagem vislumbra-se a fábrica, aparentemente inativa e a pedreira sul - hoje já fechada e requalificada. O autarca pretende que o cabo Mondego "não volte a ser prejudicado" pela extração de minério e que a população possa usufruir de uma ligação rodoviária "pela borda do mar" até à povoação da Murtinheira, a norte, na freguesia de Quiaios.
"Um bom princípio seria começar a deixar passar as pessoas de bicicleta e depois ir mais além, desde que não ferisse a Natureza. Era um projeto que veria com bons olhos", frisou.

Rui Duarte, que também pertence ao executivo da junta, tem memórias familiares do couto mineiro do Cabo Mondego, já que os avós materno e paterno ali trabalharam, como "madeireiros", a função dos que faziam os trabalhos de escoramento das galerias da mina, e outros familiares estiveram ligados à produção de cal.

Em pequeno, Rui e os amigos brincavam no recinto fabril, as pedreiras eram local predileto para corridas de bicicleta e até o enfermeiro da fábrica tomava conta de algumas mazelas da família.

"A preservação da memória é uma das maneiras de criar laços para a que a história seja perpetuada. Podíamos ter aqui um museu mineiro, como já aconteceu noutros locais do país, mas o que importa garantir é que pelo menos este espaço não se mantenha fechado e entre em abandono", defendeu.

Rui Duarte defende ainda um programa de ação que devolva o espaço da fábrica da Cimpor ao usufruto da população da Figueira da Foz.
"Já que houve tanta luta pelo encerramento e preservação do cabo Mondego e Serra da Boa Viagem, devia criar-se um programa que potencie a criação de novos postos de trabalho", sustentou.