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Pretende-se que a APP contribua para o desenvolvimento e modernização do Sistema Portuário Nacional, assumindo uma função que esteve subjacente à sua criação: constituir-se como um espaço privilegiado de reflexão e de decisão.

Praia das Maçãs: Mar bravio

Aqui não havia reis. Pelo contrário, a Praia das Maçãs tem tradição republicana. Alfredo Keil, o autor da marcha adoptada como hino nacional, foi proprietário de uma das primeiras casas da Praia das Maçãs, a Villa Guida. Naquelas poucas casas, encosta acima, juntavam-se os simpatizantes pelo regime que havia de ser implantado a 5 de outubro de 1910 e foi também lá a casa de veraneio de Afonso Costa.

Uma praia entre dois rochedos. "Os cafés eram pindéricos, a praia desabrigada, a água ártica e as ondas todos os anos levavam umas tantas crianças." Na adolescência, a escritora Rita Ferro ia morrendo afogada na Praia das Maçãs, num dia em que decidiu avançar sozinha, mar adentro, apesar das ondas revoltas. Foi salva pelo Vítor da Pestana Branca, recorda: "Atirou com o seu corpo sem carinho contra aquelas ondas danadas para me arrastar depois até à praia, como um colchão vazio."

Se fosse hoje, seria um daqueles rapazes de blusa amarela a socorrê-la: Miguel Farinha, Afonso Gaspar e Ricardo Fernandes. Os três nadadores-salvadores da Praia das Maçãs estão sentados bem a meio da praia, com os capuzes puxados para cima, as pernas embrulhadas nas toalhas, encolhidos com frio. Olham o mar mas não há lá ninguém pois a bandeira está vermelha. "É muito raro a bandeira estar verde, até há quem tire fotografias quando isso acontece", conta, entre risos, Miguel. O mais comum é a bandeira estar amarela ou vermelha e a grande preocupação dos banheiros é não permitir que as pessoas entrem no mar. "As correntes são fortes, há agueiros e, além disso, é uma zona rochosa", explica. "Não é uma praia fácil", admite. E depois há ainda o frio e o vento. "As pessoas têm aquela ideia dos nadadores salvadores que passam o dia ao sol a ver as miúdas de biquíni, mas não é nada disso. Não é um trabalho de sonho. Pelo menos aqui. Estas praias exigem muita atenção." Atenção e casacos de malha. Os biquínis, se os há, estão por baixo dos vestidos.

"Depois de Colares os adeuses tornavam-se impossíveis por culpa do nevoeiro: percebiam-se a custo telhados de chalés e cumes vagos de pinheiros numa bruma desfocada, o mar invisível chiava um mecanismo ferrugento de berço" - assim recorda o escritor António Lobo Antunes a chegada à Praia das Maçãs para a temporada de verão. O nevoeiro matinal era (e ainda é) comum. "Depois da uma levanta", assegurava a mãe do escritor, colocando as crianças a caminho da praia "de panamá na cabeça, submersos em casas concêntricas de casacos de malha". "Sentados na areia, arrepiados de gripe, de pás, baldes de plástico e formas de bolos inúteis, reconhecíamo-nos uns aos outros pelo ímpeto da tosse e pela tonalidade dos espirros", conta, com muita graça, Lobo Antunes.

"Depois da uma talvez levante" é uma frase que se ouve ainda hoje. "Quando não é o nevoeiro é o vento", queixa-se Mário Almeida, de blusa vestida, sentado de costas para o mar, protegido pelo chapéu de sol montado em forma de tapa-vento, lutando com as folhas do jornal. "Venho para aqui porque é perto, moro em Mem Martins. E porque não tem muita gente e é uma praia limpa. Mas na verdade na maior parte das vezes não é muito agradável", admite.

Um papagaio voa no outro extremo da praia. Um grupo de alunos da escola Surf at Praia das Maçãs atravessa a praia, em corrida, em direção ao mar, com as pranchas debaixo do braço. O instrutor, Pedro Marques, olha para as ondas, desconfiado. "Vamos ver, não sei se hoje entramos no mar. Provavelmente à tarde, na maré vazia, seja mais fácil..." Na praia que também é conhecida pelas piscinas de água salgada que ficam mesmo ali ao lado e pelo elétrico que serpenteia pela serra, desde Sintra, passando por Colares, as crianças parecem imunes ao frio e ao vento e nem o facto de não poderem tomar banho as faz desanimar. Há muitas crianças nesta manhã, vindas de colónias de férias, identificadas pelos chapéus coloridos. O areal é extenso, não em comprimento mas em profundidade, ideal para organizar jogos de futebol e outras brincadeiras. Resta saber se também chegam a casa a espirrar, como acontecia ao escritor.

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