Depois de uma curta estadia na Madeira, o Rei D. Carlos e a sua comitiva partem, a 24 de Junho de 1901, rumo aos Açores. Uma comitiva de peso, viajando nos cruzadores S. Gabriel, D. Amélia e D. Carlos.
Jornada histórica, em muitos sentidos, também pelo facto de tudo indicar que as primeiras filmagens feitas nos Açores ocorrem com a visita ao arquipélago do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia.
A 14 de Julho de 1901 Manuel Maria da Costa Veiga regista o filme "REGRESSO DOS SOBERANOS DA SUA VIAGEM AOS AÇORES"; reportagem sobre a visita oficial, também conhecida como “Chegada dos Soberanos e Recepção no Arsenal da Marinha, ou Chegada da Família Real dos Açores”.
Há quem defenda que para além "do carácter político económico e social interno", a visita visou, "objectivamente, uma dimensão estratégica, tendo como fulcro uma afirmação de soberania sem tibiezas".
Vejamos o que, sobre este assunto nos diz João José Brandão Ferreira: "A situação das cobiças sobre os Arquipélagos Atlânticos também não eram de molde a sossegar o governo português que, ajudado pela acção notável do Rei D. Carlos e com um entendimento pouco usual com o partido da oposição, manteve uma atitude muito equilibrada e positiva em toda a crise.
Recordou‑se na altura que o primeiro apoio à independência dos Açores, pelos EUA, remontara a 1891, no âmbito das suas ambições expansionistas. O trânsito da esquadra americana para a Europa punha naturalmente em perigo os Açores e a Madeira. E havia até nos Açores vozes que defendiam a independência e a república, baseando‑se em queixas de “exploração” por parte de Lisboa.
Por outro lado, o senador McEnery pronunciou as seguintes palavras, a propósito da anexação do Haway:
'Esta anexação do Haway, será apenas o começo da extensão do nosso território. As Filipinas seguir‑se‑ão, depois Cuba, Porto Rico e as Canárias e as restantes possessões coloniais da Espanha. E, a muito curto prazo, nós teremos uma desculpa para tirar, os Açores a Madeira e as Ilhas de Cabo Verde, a Portugal'."
Ainda sobre este assunto pode ler-se "Kissinger, os Açores e velhos projectos".
"Nos finais do século XIX, correram rumores acerca de um possível confronto naval anglo-americano e os Açores estavam de imediato, na possível linha da frente do conflito, servindo como esteio essencial a ambas as armadas. Os ingleses jamais permitiriam contra Portugal, qualquer aventura bélica ao estilo canhoneiro de Theodore Roosevelt. Isso significaria o desencadear de acontecimentos de consequências desastrosas, desde a perda dos arquipélagos atlânticos - Açores, Madeira, Cabo Verde -, até a uma forçosa partilha das colónias da África austral, levando a Alemanha de Guilherme II até ao Zambeze e à absorção de uma boa parte de Angola, alargando o então Sudoeste Africano Alemão. A Visita Régia que D. Carlos I e a Rainha Dª Amélia efectuaram em Julho de 1901 aos Açores e à Madeira, inseriu-se nessa política de manifestação da soberania portuguesa, aliás acompanhada pela presença de unidades navais britânicas que prestaram as devidas honras às Majestades, aproveitando para enviar um forte sinal a espanhóis, alemães e americanos."
Muitos anos volvidos, a questão volta a colocar-se, como se pode ler em "Documento histórico revela - EUA tinham planos para invadir os Açores em 1975" (jornal "Público", 22.11.2010).
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