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NAUFRÁGIO DO «VIRGEM DO SAMEIRO»

Relatório é inconclusivo

O relatório final sobre o afundamento da embarcação “Virgem do Sameiro”, em Novembro de 2011, ao largo do Cabo Mondego, é inconclusivo quanto às razões do acidente, não conseguindo determinar por que motivo o pesqueiro ficou inundado, motivando o naufrágio.

O relatório sobre o acidente, a que a agência Lusa teve acesso, constituído por 151 páginas, foi elaborado com base nas investigações da Polícia Marítima e nos testemunhos recolhidos pelo Capitão do Porto da Figueira da Foz, do mestre e proprietário da “Virgem do Sameiro” e dos cinco tripulantes, que andaram à deriva em alto mar numa balsa de salvamento, mas foram resgatados com vida três dias depois do acidente.
A investigação, vertida no relatório, conclui que o mestre José Manuel Pontes Coentrão, “por ficar aflito, não emitiu qualquer comunicação de socorro, urgência ou segurança via rádio VHF ou outra via”, o que acabou por complicar a localização do naufrágio e o salvamento da tripulação.

Quanto às causas do naufrágio, o inquérito sublinha que “o facto extraordinário ocorrido no mar – embarque anormal de água na embarcação – terá acontecido devido a causa fortuita e teve como consequência o afundamento total”.

O documento, já analisado pela Autoridade Marítima, que decretou o arquivamento do caso, realça que “considerando o local onde ocorreu o sinistro, a sua profundidade (cerca de 80 metros) e à distância da linha de costa (nove milhas náuticas a noroeste do Cabo Mondego), não é exequível a sua recuperação”.
O próprio responsável pela Autoridade Marítima, capitão de mar-e-guerra Mendes dos Santos, comentou à Lusa que a única forma de averiguar concretamente a entrada de água na “Virgem do Sameiro” seria a recuperação da embarcação, o que não faz sentido devido à profundidade onde se encontra e ao custo que teria uma operação deste tipo.

Segundo o apurado na investigação, cerca das 24:00 de 29 de novembro, após um dia inteiro de pesca bem sucedido, nas suas funções de mestre e vigia, José Manuel Coentrão apercebeu-se que a embarcação estava a perder potência e a adornar a estibordo (lado direito).
De imediato foi à “camarinha” (dormitório) chamar um tripulante para averiguar o que se passava e quando se aperceberam que esta estava a ficar inundada acordaram toda a gente. Ainda “tentaram acionar a bomba de esgoto de água, mas esta não funcionou devido ao alagamento da casa das máquinas, pelo que embarcação ficou sem motor”.

Aflito, o mestre não emitiu qualquer sinal de socorro. A sua “prioridade foi a salvaguarda da vida humana” e “manter a ordem entre os tripulantes”. "Providenciou e organizou o embarque em segurança na jangada pneumática”, onde viriam a ser encontrados, à deriva, a mais de nove milhas (perto de 17 quilómetros) do local do naufrágio.

Com a precipitação, “nenhum dos tripulantes ao abandonar o navio envergou o colete de salvação”. O naufrágio do “Virgem do Sameiro” deu-se entre 15 a 20 minutos e, aquando do acidente, “as condições de tempo e oceanográficas eram favoráveis”, com vento fraco e ondas entre os 2,5 e os 3 metros.
A “Virgem do Sameiro”, embarcação com casco em madeira, construída em 1997, com 13,63 metros de comprimento, também não estava equipada com um sistema de alarme eletrónico automático “Epirb” (sinalizador de rádio baliza que em contacto com a água emite sinal de alerta via satélite), o que não era obrigatório por lei.

No entanto, “a embarcação possuía as vistorias técnicas válidas, verificando-se a sua operacionalidade quanto à estabilidade, flutuabilidade e navegabilidade”. Tinha também em dia todos os seguros, referentes à embarcação e tripulação, contratos de trabalho e licenças, papéis cujos originais se perderam no acidente.
Apesar da inexistência do SOS via rádio, as autoridades marítimas detetaram horas mais tarde o desaparecimento da embarcação dos radares, a ausência de comunicações e iniciaram as buscas.
Resguardados numa pequena balsa, os seis homens estavam perdidos no mar e nem os quatro very-lights que disparam ajudaram à sua localização.

Durante os dias que se seguiram, a “Virgem do Sameiro” fez os destaques nas notícias e assistiu-se através da comunicação social à angustia das famílias e do país.
Três dias depois do acidente, e quando as esperanças de os encontrar já vacilavam, os seis tripulantes foram avistados por um helicóptero da Força Aérea e resgatos pouco tempo depois, debilitados, mas vivos.
 


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